Colapso na saúde em Manaus: o fardo de não aderir às medidas não farmacológicas de redução da transmissão da Covid-19

Autores

  • Ivana Cristina de Holanda Cunha Barreto Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
  • Raimundo Valter Costa Filho Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFC) https://orcid.org/0000-0002-2456-8819
  • Ronaldo Fernandes Ramos Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFC) https://orcid.org/0000-0003-2841-1787
  • Luciana Gonzaga de Oliveira Universidade de Brasília (UnB) https://orcid.org/0000-0003-2399-3052
  • Natália Regina Alves Vaz Martins Universidade de Brasília (UnB)
  • Fabricio Cavalcante Universidade de Brasília (UnB) https://orcid.org/0000-0002-8706-0457
  • Luiz Odorico Monteiro de Andrade Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
  • Leonor Pacheco Universidade de Brasília (UnB)

Palavras-chave:

Infecções por Coronavírus, pandemia, decretos, isolamento social, Sistema Único de Saúde.

Resumo

Objetivou-se comparar o comportamento da Covid-19 em Manaus e Fortaleza, dois epicentros da pandemia em 2020, analisando medidas legais dos governos locais e níveis de isolamento social. Definiu-se um algoritmo para calcular o Índice de Permanência Domiciliar (IPD), com dados do Google Mobility Report. Analisaram-se a linha do tempo dos decretos, a evolução do IPD, da incidência de Covid-19 e do número de óbitos de março/2020 a janeiro/2021. A população de Fortaleza esteve exposta a medidas de distanciamento social mais consistentes que as de Manaus. Foi observado, de março a maio de 2020, uma maior permanência domiciliar, e Fortaleza atingiu níveis mais elevados e duradouros. A partir de junho, o IPD caiu, sobretudo em Manaus, atingindo níveis abaixo de zero no final de dezembro. Devido a isso, o governo decretou amplo isolamento em Manaus em 23/12/2020, mas após protestos, revogou-o em 26/12/2020. Uma decisão judicial determinou o fechamento completo em Manaus em 02/01/2021, mas foi tarde demais: o SUS entrou em colapso com aumento exponencial dos óbitos. Em Fortaleza, a demanda aos serviços de saúde estava elevada, mas sob controle. Considerou-se que somente a aplicação rigorosa de medidas não farmacológicas e imunização em massa poderiam evitar mais mortes.

Publicado

2022-06-07

Como Citar

1.
Barreto IC de HC, Costa Filho RV, Ramos RF, Oliveira LG de, Martins NRAV, Cavalcante FV, Andrade LOM de, Santos LMP. Colapso na saúde em Manaus: o fardo de não aderir às medidas não farmacológicas de redução da transmissão da Covid-19. Saúde debate [Internet]. 7º de junho de 2022 [citado 12º de agosto de 2022];45(131 out-dez):1126-39. Disponível em: https://saudeemdebate.org.br/sed/article/view/5546

Edição

Seção

Artigo Original