Vozes e fazeres do semiárido: convites à descolonização do campo científico, rumo a outras práxis

Autores

  • Raquel Maria Rigotto Universidade Federal do Ceará (UFC)
  • Mayara Melo Rocha Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
  • Saulo da Silva Diógenes Universidade Federal do Ceará (UFC) https://orcid.org/0000-0001-8584-3936
  • Rafaela Lopes de Sousa Universidade Federal do Ceará (UFC) https://orcid.org/0000-0003-4459-9599
  • Andrezza Graziella Veríssimo Pontes Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) https://orcid.org/0000-0002-3889-2484
  • Luana Carolina Braz de Lima Universidade Federal do Ceará (UFC)
  • Andréa Machado Camurça Universidade Federal do Ceará (UFC)
  • Maiana Maia Teixeira Universidade Federal do Ceará (UFC)

Palavras-chave:

Agricultura sustentável. Saúde pública. Saúde ambiental. Educação em saúde.

Resumo

As fronteiras do capital neoextrativista avançam sobre territórios de populações tradicionais, provocando conflitos socioambientais, agravando a crise civilizatória, ameaçando a sustentação da vida no planeta. A Pedagogia do Território, a práxis acadêmica no Núcleo Tramas, traz pistas para que os sujeitos da Universidade incidam na assimetria de forças presente nos territórios em conflito ambiental. Duas experiências iluminam as reflexões deste ensaio. Na luta pela construção do seu território camponês, as vivências das comunidades de Apodi/RN anunciam a Agroecologia como forma de resistir ao ‘Projeto da Morte’. Por sua vez, o Núcleo de Reflexões, Estudos e Experiências em Agroecologia e Justiça Ambiental revelam o protagonismo das mulheres na construção da Agroecologia e na defesa de seus territórios. Sob a perspectiva decolonial, discutimos nossas bases teórico-epistemológicas, que incitam metodologias insurgentes e fomentam o diálogo de saberes, ressignificando os sujeitos cognoscentes. A mediação entre as vozes dos povos do semiárido e o campo científico da Saúde Coletiva provoca-nos a reflexão: quais são os recados desses povos para a academia? Enquanto ainda buscamos possibilidades, os camponeses já têm, há muito, anunciado a Agroecologia como alternativa para produzir, existir harmonicamente na natureza, promover saúde e resistir aos efeitos da colonialidade.

 

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Publicado

2022-07-04

Como Citar

1.
Maria Rigotto R, Melo Rocha M, da Silva Diógenes S, Lopes de Sousa R, Graziella Veríssimo Pontes A, Carolina Braz de Lima L, Machado Camurça A, Maia Teixeira M. Vozes e fazeres do semiárido: convites à descolonização do campo científico, rumo a outras práxis. Saúde debate [Internet]. 4º de julho de 2022 [citado 1º de dezembro de 2022];46(special 2 Jun):277-92. Disponível em: https://saudeemdebate.org.br/sed/article/view/5061